Redstockings Manifesto

29 nov

I. Depois de séculos de luta política preliminar e individual, as mulheres estão se unindo para alcançar sua libertação final da supremacia masculina. Redstockings é dedicada a construir essa união e conquistar nossa liberdade.

II. Mulheres são uma classe oprimida. Nossa opressão é total, afetando cada faceta de nossas vidas. Nós somos exploradas como objetos sexuais, reprodutoras, empregadas domésticas e mão-de-obra barata. Nós somos consideradas seres inferiores, cuja única finalidade é melhorar as vidas dos homens. Nossa humanidade é negada. Nosso comportamento prescrito é reforçado pela ameaça de violência física.

Porque nós vivemos tão intimamente com nossos opressores, isoladas umas das outras, nós temos sido impedidas de ver nosso sofrimento pessoal como uma condição política. Isso cria a ilusão de o que o relacionamento de uma mulher com seu homem é um assunto de interação entre duas personalidades singulares, e pode ser elaborado individualmente. Na realidade, cada relacionamento deste tipo é um relacionamento de classes, e os conflitos entre homens e mulheres individuais são conflitos políticos que podem ser resolvidos somente coletivamente.

III. Nós identificamos os agentes de nossa opressão como homens. A supremacia masculina é a mais velha, a mais básica forma de dominação. Todas as outras formas de exploração e opressão (racismo, capitalismo, imperialismo, etc.) são extensões da supremacia masculina: os homens dominam as mulheres, alguns homens dominam o resto. Todas as estruturas de poder ao longo da história tem sido masculino-dominadas e destinadas aos homens. Os homens têm controlado todas as instituições políticas, econômicas e culturais e sustentado este controle com força física. Eles têm usado seu poder para manter as mulheres em uma posição inferior. Todos os homens recebem benefícios econômicos, sexuais e psicológicos da supremacia masculina. Todos os homens têm oprimido as mulheres.

IV. Tentativas têm sido feitas para deslocar a carga da responsabilidade dos homens para as instituições ou para as próprias mulheres. Nós condenamos estes argumentos como evasões. Instituições sozinhas não oprimem; elas são meramente ferramentas do opressor. Responsabilizar as instituições implica que os homens e as mulheres são igualmente vitimados, obscurece o fato de que os homens se beneficiam da subordinação das mulheres, e dá aos homens a desculpa que eles são forçados a ser opressores. Pelo contrário, qualquer homem é livre para renunciar a sua posição superior contanto que ele esteja disposto a ser tratado como uma mulher por outros homens.

Nós também rejeitamos a idéia de que as mulheres consentem ou são responsáveis por sua própria opressão. A submissão das mulheres não é resultado de lavagem cerebral, de estupidez, ou de doença mental, mas de pressão contínua, diária, dos homens. Nós não precisamos mudar a nós mesmas, mas os homens precisam mudar.

A evasão mais difamatória de todas é a que as mulheres podem oprimir os homens. A base dessa ilusão é o isolamento dos relacionamentos individuais de seu contexto político e a tendência dos homens a ver qualquer desafio legítimo aos seus privilégios como perseguição.

V. Nós consideramos nossa experiência pessoal, e nossos sentimentos sobre essa experiência, como a base para uma análise de nossa situação comum. Nós não podemos confiar em ideologias existentes porque são todas produtos da cultura supremacista masculina. Nós questionamos cada generalização e não aceitamos nenhuma que não seja confirmada por nossa experiência.

Nossa tarefa principal no momento é desenvolver a consciência de classe feminina através da partilha de experiência e expor publicamente a fundação sexista de todas as nossas instituições. Despertar a auto-consciência não é “terapia”, que implica a existência de soluções individuais e admite falsamente que o relacionamento macho-fêmea é puramente pessoal, mas o único método pelo qual podemos assegurar que nosso programa para a libertação esteja baseado nas realidades concretas de nossas vidas.

A primeira exigência para despertar a consciência de classe é a honestidade, em particular e em público, com nós mesmas e com outras mulheres.

VI. Nós nos identificamos com todas as mulheres. Nós definimos nosso melhor interesse como aquele da mulher mais pobre, mais brutalmente explorada.

Nós repudiamos todos os privilégios econômicos, raciais, educacionais ou de status que nos dividem de outras mulheres. Nós estamos determinadas a reconhecer e eliminar todos os preconceitos que nós podemos ter contra outras mulheres.

Nós estamos comprometidas a alcançar a democracia interna. Nós faremos o que for necessário para assegurar que cada mulher em nosso movimento tenha uma possibilidade igual de participar, assumir responsabilidade, e desenvolver seu potencial político.

VII. Nós convocamos todas as nossas irmãs para unirem-se a nós na luta.

Nós convocamos todos os homens a desistirem de seus privilégios masculinos e apoiarem a libertação das mulheres no interesse de nossa humanidade e da sua própria.

Na luta por nossa libertação nós sempre tomaremos o lado das mulheres contra seus opressores. Nós não perguntaremos o que é “revolucionário” ou “reformista”, somente o que é bom para as mulheres.

O momento para conflitos individuais passou. Desta vez nós estamos indo até o fim.

Do “Redstockings Manifesto”, 7 de Julho de 1969.

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